Noivas de Preto
Foi a rainha Vitória que inaugurou, na Inglaterra, o primeiro visual noiva, tal qual o de hoje. Apaixonada pelo primo, o príncipe Albert de Saxe Cobourg-Gotha, ela tomou a iniciativa de pedi-lo em casamento (o protocolo de época dizia que ninguém poderia fazer tal pedido a uma rainha). Ele aceitou. Foi a primeira vez que se teve notícias de alguém casar por amor. Vitória foi mais ousada: acrescentou ao seu traje nupcial algo proibido para uma rainha na época - um véu (para provar sua identidade, em público, a soberana jamais se cobria). Nascia aí um costume que atravessaria o tempo e daria a Vitória o reconhecimento de trazer para a nossa época o amor, como sentimento básico para unir um homem e uma mulher. Com a chegada de uma nova classe social - a dos burgueses - criou-se um código para sinalizar quando a mulher era virgem: casar de branco. Era a garantia ao futuro marido de sua descendência, já que a virgindade significava a legitimidade da prole. Conforme os anos se passaram, o branco foi sendo usado no vestido de noiva, como símbolo de pureza. Hoje, o branco simboliza o casamento e é vestido por qualquer noiva, ainda que seja seu segundo casamento.

Como exemplo famoso, temos a esposa do apresentador Fausto Silva que se casou com um tomara que caia coberto de brilhos contrastando com o buquê branco.
E nas novelas sempre pintam umas noivas revoltadas simbolizando o luto nas cerimônias de casamento.
Mas, as NDP (Noivas De Preto.../piada amarela...ou preta ¬¬) não são grande novidade no mundo dos casamentos. Em meados de 1930, por mais estranho que isso possa parecer era moda casar-se de preto. A foto abaixo retrata o casal espanhol Purifiación e Miguel no dia de seu casamento.
Em 1967, foi lançado um famoso filme francês chamado a Noiva estava de preto, que traz a pior das imagens que a cor está associada: o luto e o mau, já que o filme, baseado no livro homônimo, segue os passos de uma viúva, cujo marido foi assassinado ao sair da igreja, logo após a celebração do seu casamento, na caça aos responsáveis pela morte dele. É considerado uma obra-prima entre os amantes (sem duplo sentido aqui) do genêro.
Além disso, o grupo etnográfico Minho do Litoral, tradição portuguesa, também apresenta os trajes típicos de seus casamentos, e a grande característica do traje de noiva era, sem dúvida, a cor do vestido. E como preto era a cor do luto, a noiva minhota se casava e era sepultada com esse mesmo modelito. Outra particularidade era sua riqueza: um avental em veludo com vidrilhos de luar e coroa real. Também a barra da saia e os punhos da casaca eram enfeitados com vidrilhos. A cabeça era coberta com um véu branco. Ao peito levava o ouro da família e na mão um ramo com a flor de laranjeira.

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